O problema é local, mas a desculpa é federal.
Na última terça-feira, 30 de outubro de 2025, a população de Guamaré foi mais uma vez agraciada com o já tradicional espetáculo de distorções, frases de efeito vazias e um enredo de ficção política apresentado pelo presidente da Câmara Municipal, Eudes Miranda. Em uma fala que oscilou entre a comédia involuntária e a tragédia institucional, Eudes mostrou, mais uma vez, por que se tornou um símbolo da falta de preparo político e da completa alienação em relação à realidade local.
Como sempre, sem nexo. E sem noção
De forma absolutamente desconectada dos fatos, Eudes usou da palavra para jogar a culpa de todos os males de Guamaré, pasmem, no Governo Federal, especialmente no Presidente Lula. Segundo ele, o momento de Guamaré não são fruto da inércia do prefeito Hélio Willamy (seu irmão), mas sim reflexo de uma suposta perseguição do Governo Federal.
Ora, senhor Eudes, até quando a população de Guamaré terá que ouvir esse roteiro desgastado e previsível de vitimização política? Porque, se for para falar de números, que tal começarmos pelos mais de R$ 2,1 bilhões de recursos públicos que passaram pelas mãos da sua família nos últimos anos? Exatos R$ 2.176.370.119,27 – dinheiro mais do que suficiente para garantir um sistema de saúde digno, coleta de lixo regular, salários em dia e uma cidade funcional.
Mas o que se viu no discurso foi mais uma tentativa grosseira de reescrever a história e esconder o óbvio: o fracasso administrativo é local, caseiro, familiar.
Dois pesos, mil medidas
Eudes, em tom quase messiânico, lembrou de sua breve passagem pela Prefeitura – um reinado de 11 meses que ele insiste em exaltar como se tivesse mudado o rumo da história.
Disse, com orgulho, que instalou uma usina de oxigênio no fim da pandemia. Um gesto isolado, que eleva ao nível de epopeia, mas que esconde a retirada de UTIs – um retrocesso real e cruel para a população de Guamaré.
Pior: ao mesmo tempo que se diz vítima de um governo federal insensível, não hesita em exaltar a gestão Bolsonaro. A dúvida que paira é simples: se Bolsonaro foi tão bom para Guamaré, por que a cidade está no caos mesmo após quatro anos do suposto “olhar federal”? E se Lula é o vilão, por que a família Miranda sempre marchou em sintonia com o governo estadual do PT?
A incoerência se tornou política de Estado na gestão dos Miranda.
Do lixo às redes: a tática do espantalho
Outro momento digno de vergonha alheia foi a crítica de Eudes à população que denuncia nas redes sociais os problemas da cidade. Para ele, quem posta nos grupos de WhatsApp ou denuncia em blogs apenas “quer aparecer”. Ora, e o que dizer daqueles que enfrentam salários atrasados, lixo acumulado, fogo no lixão e a precariedade dos serviços essenciais? Estariam todos querendo “likes”, ou apenas tentando sobreviver em meio ao descaso?
O presidente da Câmara parece querer calar não só a oposição – que cumpre seu papel fiscalizador – mas também os cidadãos que ousam reclamar. Censura disfarçada de moralismo barato.
O rei das bobagens
Quem não lembra da pérola: “é melhor ter pra receber do que pra pagar”, saída da boca do senhor Eudes, ao justificar o atraso dos salários dos servidores públicos. Em vez de empatia, arrogância. Em vez de soluções, deboche. Em vez de governo, um clubinho familiar de gestão pública amadora, que prefere gastar tempo atacando adversários do que resolvendo os problemas reais da cidade.
Porém, a majestade da bobagem lançou mais essa: “quando a gente sabe pedir a gente tem, quando não sabe pedir a gente não tem.” Sem deixar claro o que seria o pedido e como seria atendido, lança sobre a mesma população que não soube escolher a dever de saber pedir.
Expectativas de dias melhores
Mas, o Presidente visionário da Câmara deixou uma esperança para o povo de Guamaré, uma espécie de teste de fogo para medir a “in”competência do seu irmão Hélio. Em mais uma bobagem, disse: “Deixe acabar com a briga política no Governo Federal para você verem uma coisa.”
Além da risada, o cidadão deve espera a partir de agora, uma mudança nacional, não a capacidade da gestão municipal melhorar a vida do povo, um flagrante reconhecimento da incompetência do Prefeito Hélio.
O problema não é lá, é aqui. E tem nome e sobrenome
Eudes tenta montar uma peça teatral onde o vilão mora no Palácio do Planalto e os heróis usam sobrenome Miranda. Mas a plateia não é mais ingênua. O povo de Guamaré já entendeu que o roteiro não cola. Porque não é Lula quem administra o município. Não é Lula quem nomeia parentes, quem fecha UTIs, quem atrasa salários, quem desaparece com os serviços básicos. A culpa, senhor presidente, é de quem governa mal. E de quem se cala diante disso.
Ao invés de teatralizar discursos na Câmara e brincar de analista político nacional, seria mais prudente olhar para a porta da Prefeitura, que está a poucos metros dali. Talvez encontre ali as respostas que tanto evita.
Porém, se preferir continuar dizendo suas bobagens, responda antes:
É culpa de Lula ou de Hélio a falta de água no município?
É Lula ou de Hélio que está sendo processado por desvio de recursos na contratação de carro pipa?
São os bens de Lula ou de Hélio que estão bloqueados pelo TCE/RN por irregularidades na contratação do deslizador?
Aproveite também, e explique a população quando abrir a boca novamente, sobre seus 11 meses de gestão:
É culpa sua ou de Lula o fechamento das UTIs em Guamaré?
É culpa sua ou de Lula, o pagamento de R$ 1.412.576,04 de material de construção a Comercial Papary, somente em 4 meses?
É culpa sua ou de Lula, as compras realizadas em 140 dias de: 123 carros de mão no valor de R$ 22.579,34; 600 pacotes de abraçadeira no valor de R$ 17.121,60; 227 cabos para enxada, ancinho, chibanca e estrovenga no valor de R$ 2.171,75?
É culpa sua ou de Lula, o pagamento de Jetons pela Câmara de Guamaré no valor de R$ 1.026.000,00?
NOTA DA REDAÇÃO
Como se observa é tudo demagogia, ao invés de Eudes Miranda culpar Lula pelo caos em Guamaré, esquece de ignorar bilhões geridos pela própria família. O problema não é lá, mas, exclusivamente aqui.
Guamaré não precisa de mais narrativas. Precisa de gestão. De verdade e de políticos com vergonha na cara.











