DE FISCAL DA LEI A FIADOR DO CAOS: HÉLIO AFUNDA GUAMARÉ E A CÂMARA SEGURA A CORDA

DE FISCAL DA LEI A FIADOR DO CAOS: HÉLIO AFUNDA GUAMARÉ E A CÂMARA SEGURA A CORDA

O atual presidente da Casa Legislativa, vereador Eudes Miranda, afirmou recentemente que irá adotar medidas austeras, com cortes de salários de assessores, comissionados e até dos próprios parlamentares, sob o falso objetivo de enfrentar a suposta crise financeira provocada pela queda na arrecadação do ICMS.

Contudo o Chefe do Legislativo, tenta criar um sentimento de que as receitas da Câmara caíram. O que é não é verdade. A parcela mensal do duodécimo destinada à Câmara Municipal é fixa e previamente estabelecida na Lei Orçamentária Anual, correspondendo a 1/12 do total anual aprovado, respeitados os limites constitucionais. Ainda que haja queda na arrecadação ou frustração de receitas ao longo do exercício financeiro, esse repasse não sofre alterações substanciais, uma vez que visa garantir a autonomia financeira do Poder Legislativo e a continuidade de suas funções institucionais, conforme previsto no art. 29-A da Constituição Federal.

No entanto, a justificativa soa como cortina de fumaça para encobrir a realidade: a crise que afeta Guamaré não é fruto de queda de arrecadação, mas de uma gestão desorganizada, apática e marcada por decisões duvidosas, como se observou ao longo do governo do prefeito Hélio Willamy, que herdou e mantém práticas condenáveis já presentes na gestão de Arthur Teixeira.

Assim, o prefeito que não teve coragem, competência ou responsabilidade para cortar na própria carne, quer cortar na carne dos outros com faca do legislativo.

Câmara submissa e sem independência.

Como dito, a Câmara não sofreu qualquer impacto com a queda de receitas no exercício corrente. Sua arrecadação segue estável, sem prejuízos ou alterações. Ainda assim, o presidente Eudes Miranda defende cortes no próprio orçamento da Casa, com claro propósito de garantir a devolução de valores ao Executivo — um gesto que representa subserviência política, e não compromisso com a austeridade.

Pior: ao tentar se colocar como um “símbolo de transparência” e “boa gestão”, o presidente se esquece de informar à população que, recentemente, a Câmara autorizou gratificações milionárias, ultrapassando a marca de R$ 1 milhão pagos em vantagens questionáveis a servidores.

Certamente a austeridade pensada pelo Presidente tenha a ver com a garantia do salário de sua esposa, Larisa Mayara Pereira da Silva, que recebeu no mês de agosto um salário de R$ 20.710,00 dos cofres públicos —valor significativo para um município que enfrenta inadimplência, bloqueios judiciais, falta de água em comunidades, remédios escassos nos hospitais, e veículos públicos sendo retomados por locadoras por falta de pagamento:

Devolver dinheiro ao Executivo: para quê, exatamente?

Em tom quase heroico, Eudes Miranda se vangloria de ter devolvido R$ 5 milhões ao Executivo — como se o ato, isolado, pudesse redimir toda omissão institucional da Câmara. O discurso, porém, não convence, especialmente pelo fato da citada devolução ter ocorrido no período da pandemia, onde os recursos estavam voltados para salva vidas. Porém, se desejar usar o mesmo argumento (salvar vidas), atualmente estaríamos a enfrentar o vírus da incompetência chamado Hélio Willamy, um gestor sem qualquer capacidade administrativa.

Mais grave ainda é o fato de que esse esforço de “salvação” ao Executivo se dá em um contexto onde o prefeito Hélio se mostra incapaz de adotar medidas para equilibrar a máquina pública, se destacando como um gestor ineficiente, símbolo de um governo que abandonou o diálogo com a população e mergulhou em escândalos administrativos

Guamaré: a terra dos enganados

Guamaré segue como um exemplo de como o poder pode ser distorcido quando a fiscalização é fraca, e a subserviência toma o lugar da independência dos poderes. A cidade não precisa de discursos vazios, de cortes simbólicos ou de gestos teatrais. Precisa de transparência real, responsabilidade fiscal e compromisso com o povo.

Mas, ao que parece, Guamaré continuará sendo “terra de gente feita de idiota” — enquanto os verdadeiros responsáveis pelos desmandos políticos e administrativos seguem escrevendo uma história manchada de submissão, covardia e abandono.

Nota da Redação

Embora se reconheça que a Câmara Municipal de Guamaré recebe muito e entrega pouco — sustentando uma estrutura inchada, com dois anexos, cargos e serviços que pouco ou nada retornam à população —, o foco da crítica vai além da justificativa para eventuais cortes. O verdadeiro problema não está somente na relação de compadrio entre os poderes, mas num Legislativo de cócoras, que virou uma repartição do Executivo no atendimento de interesses comuns, pessoais e familiares.

Os papéis institucionais se perderam no tempo e no espaço. A independência entre os poderes, princípio basilar da democracia, foi estuprado em Guamaré. E quem sente essa ruptura na pele é a população, cada vez mais abandonada e empobrecida.

Se o povo é vítima, e Hélio é o algoz, a Câmara é cúmplice fiel da tragédia administrativa que tomou conta da cidade — não apenas por omissão, mas por participação ativa no desmonte da boa governança.

Quando vejo tudo isso, enxergo dois castigos: o primeiro, do povo que acreditou em Hélio novamente e está sendo massacrado. O segundo, de Hélio, que sofre exatamente do mesmo mal que derrubou Dedé Câmara — sendo ele, ironicamente, o responsável por sua queda. O tempo passou, os papéis mudaram, e hoje Hélio parece ser vítima do próprio enredo que ajudou a construir: o fracasso inevitável do perseguidor.

Outras Notícias