Passados mais de oito meses desde que assumiu a Prefeitura de Guamaré pela terceira vez, o prefeito Hélio Willamy ainda não conseguiu mostrar a que veio. O que era para ser uma “virada de chave” na administração municipal, segundo promessa feita ao eleitorado, tem se revelado um retrocesso ainda mais acentuado em relação ao criticado governo de seu antecessor e atual secretário, Arthur Teixeira.
E a ironia não para por aí: o próprio Arthur, antes alvo das críticas do então candidato Hélio, hoje ocupa cargo estratégico como Secretário Municipal de Planejamento, mostrando que o discurso de renovação serviu apenas de trampolim eleitoral. Para quem votou esperando mudança, a realidade amarga é de continuidade e, para muitos, agravamento.
As promessas que o tempo engoliu
Durante a campanha, Hélio Willamy usou dois argumentos centrais para se distanciar de Arthur Teixeira:
- Que não era ouvido por Arthur. E, portanto, todo mal era culpa dele;
- Que faria tudo diferente, devolvendo à gestão pública a sensibilidade social perdida.
Mas, o que se vê hoje é um cenário ainda mais desolador. Os problemas estruturais se acumulam, a gestão patina e a sensação generalizada é de que a cidade está à deriva. O mais emblemático exemplo do descompromisso com a população mais vulnerável é o fechamento prolongado dos Restaurantes Populares — medida iniciada por Arthur e mantida por Hélio, mesmo diante do clamor popular.
Restaurantes Fechados: a fome institucionalizada
Historicamente, Guamaré contava com dois Restaurantes Populares — um em Salina da Cruz e outro no Distrito de Baixa do Meio — que atendiam cerca de 600 pessoas diariamente. O custo simbólico de R$ 1 por refeição completa (incluindo suco e sobremesa) tornava o programa um instrumento fundamental de segurança alimentar.
Além da relevância social, o serviço era respaldado por legislação própria, por meio da Lei Municipal nº 539/2011, que instituiu o Programa Especial de Segurança e Suplementação Alimentar – PRESSA, destinado justamente a garantir comida na mesa de quem vive em risco social e abaixo da linha da pobreza.
Hoje, o cenário é o oposto: portas fechadas, panelas vazias e estômagos famintos. A continuidade desse descaso sob o comando de Hélio tem gerado revolta nas comunidades mais afetadas. A fome, como bem sabemos, não espera — e nem aceita discurso vazio.
A população, especialmente a mais pobre, se vê esquecida, relegada ao abandono. A crítica mais recorrente nas ruas é a de que o atual prefeito se distanciou do povo, perdeu a sensibilidade e ignora a realidade que bate à porta de milhares de famílias.
A fome tem pressa — a gestão, não
É preciso lembrar, com toda a ênfase, que fome não é estatística: é dor, é urgência, é desespero. Enquanto o governo municipal se mostra indiferente, crianças vão à escola com fome, mães deixam de comer para alimentar os filhos, e famílias inteiras sobrevivem da solidariedade alheia.
Não é justo — nem aceitável — que uma cidade com os recursos que Guamaré possui entregue sua população à penúria. Falta comida, falta água, falta gestão.
REDAÇÃO
Prefeito Hélio, é hora de ouvir o povo — de verdade, e não apenas em discurso. É hora de reabrir os Restaurantes Populares, retomar o PRESSA e colocar a dignidade humana no centro da gestão. Governar é priorizar, e alimentar quem tem fome não é caridade: é dever constitucional e moral.
A fome não pede favor. A fome exige ação.











